sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Marco Luigi Tributo Prosecco


Nossos amigos da Vinícola Marco Luigi foram extremamente gentis e atenciosos em me ceder algumas amostras dos seus vinhos para provar.

O primeiro que abri foi este prosecco, produzido com uvas cultivadas em vinhedos próprios no sul do país.

O Vinho: Marco Luigi Tributo Espumante Natural Brut - Prosecco

Safra: Não encontrei indicação

Uvas: Chardonnay e Pinot Noir

Comentários:
Uma cor muito bonita, amarelo palha com reflexos esverdeados, com perlage fina e constante.

Aromas refrescantes, persistentes e levemente adocicados que lembravam pêssegos em calda e maçã verde, com toques cítricos e florais.

Na boca é refrescante, com um corpo leve, uma boa acidez e uma boa persistência. A perlage é persistente e proporciona umas leves “picadas” na língua, que deixam a boca salivando depois de cada gole.
Sem nenhum toque de amargor final, tem um conjunto bem equilibrado.

Para o meu paladar este é um ótimo espumante que agrada todo tipo de pessoa, desde a mais experiente, até as pessoas que não tem muita experiência com vinhos finos, mas gosta de apreciar um bom espumante.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A Última Safra - por Elmo Dias

A Última Safra - por Elmo Dias

Espedito descobriu que estava morrendo.

Não estava morrendo como todos nós, que a cada dia vivendo conta um dia morrendo.

Estava morrendo mesmo, rápido, daqui a pouco, insustentável leveza do ser.

Seu médico era o estereótipo do médico dos anos 60.

Um cara magro mas nada atlético, sempre asseado, cabelos brancos ainda volumosos, sempre arrumados, mesa limpa, óculos discretos.

A confiabilidade, o acolhimento e empatia do médico não ajudavam em nada agora.

Estava morrendo.

- “Mas... quanto tempo ?”

O médico, constrangido pela antiga quase-amizade, respondeu com a inexatidão inerente às carcaças humanas: “Dois meses, seis meses, um ano no máximo.”

Espedito nem se despediu da secretária, estava em transe.

O transe maldito, pesado, sombrio, onde todos os sons e imagens do momento presente parecem ser abafados por uma explosão que acabou de acontecer.

Sentou no carro e ficou esperando o choro.

Nada.

O choro também havia sido consumido pelo estarrecimento.

Sentou no banco do carro, abaixou a cabeça, ficou olhando para suas mãos.

A mesma cor, o dedo anular com a mesma cicatriz do tempo de exército, as mesmas unhas curtas e largas.

Baixou o pára-sol, ficou analisando no espelhinho suas rugas e suas pintas de maturidade na pele branca.

Não estava morrendo!

Estava tudo igual!

Os olhos ainda eram de um castanho sem graça, as sobrancelhas ainda não tinham fios brancos, o nariz largo e sólido.

Dirigiu até em casa, sem rádio e sem atenção.

Tentava organizar os pensamentos, tentava antecipar as conversas, tentava planejar seus últimos dias.

Seu mestrado em Mercados Emergentes já não servia pra mais nada.

Seu par de sapatos de pelica alemã já não valiam o preço.

Os trezentos mililitros de silicone que sua mulher colocara em cada seio já não eram estimulantes.

Resolveu não falar nada.

Entrou em casa, reuniu uma força hercúlea e até abriu um sorriso.

Ninguém desgrudou da tevê.

A mulher e os filhos comendo sanduíches com refrigerante e assistindo a novela indiana mal lhe disseram alô.

Ficou frustrado em desperdiçar seu sorriso falso.

Como estava no automático, ser semovente conduzido pela rotina, subiu, tirou a roupa no banheiro e jogou no chão.

Preparou o banho enquanto coçava suas partes íntimas.

Resolveu que ia cantar.

Cantar no chuveiro.

A água tépida envolveu sua pele, fluindo pelos cabelos e tomando o torso, enquanto tentava pensar no que cantar.

Desenterrou um samba velho, doído, que Nelson Gonçalves cantava com sua voz grandona.
No meio da canção, o choro veio.

Fundiu-se com a água do banho, perdeu-se no ralo.

Estava morrendo.

Ficou parado ali, depois de ter desligado o chuveiro, chorando sem expressão facial.

Pensou nas viagens, nas risadas, nos porres, nas namoradas, nos empregos.

Já de pijama e chinelos, lembrou da parreira.

Desceu as escadas, acendeu as luzes do quintal, chegou perto dos arames onde a planta se agarrava e mostrava suas folhas quase lascivas.

Os pequenos bagos, duros, tão verdes que eram nervosos.

Pegou a plaquinha amarrada no pé da vinha de cinco anos.

Passou os dedos pelas letras cavadas da madeira.

“Chateau Espê”.

Mais uma vez, puniu-se por amar o nome idiota que tinha dado a seu vinho.

Vinte e cinco metros quadrados de vinha, num terreno de quatrocentos e poucos metros quadrados num bairro nobre de Curitiba.

Criticou-se por mais aquele de seus tantos projetos que não mudariam a história.
Nem a sua e nem a da humanidade.

Lamentou-se por todas a vezes que brochou, olhos congelados nas folhas largas da Bonarda.

Desceu à adega, pegou uma caneta e um pedaço de papel jornal.

Desgovernou-se a escrever coisas.

Coisas que deixava, coisas para pessoas, carinhos para pessoas, insultos para pessoas.

Pessoas que estavam na sua vida naquele momento, todas nítidas numa fotografia de grande formato.

Olhou para seus próprios pés, sobre os ladrilhos. Cortejou as vinte e seis garrafas de sua primeira safra, ali no canto.

Empilhadas com capricho, empoeiradas.

Fundos de garrafa com poeira, garrafas de sua própria colheita, uma glória inimaginável.

Mastigou suas pretensões, pretensões de garoto senil.

Dobrou o papel, enfiou no vão do pilar de tijolos crus.

Pegou uma das garrafas, subiu a escada, colocou na mesa de jantar.

Serviu na maior taça que tinha. Cheirou.

Uva indômita, uva desavergonhada, uva, só uva.

Deu um gole áspero.

A mornidão do suco de uva ralo lhe fez rir sem vontade.

A tevê explodindo em cores e luzes contra o móvel da bancada da cozinha.

A poeira nas mãos, o vinho na taça.

Guindou-se da cadeira, foi dormir no transe espremido, na consciência opressora da efemeridade.

Estava morrendo.

Agora só queria dormir com os olhos pesados pelo álcool insolente de seu Chateau Espê.

Amanhã continuaria a morrer.

Elmo Dias é advogado civilista, presidente da Afavep, pescador, tenista, enófilo e cronista nas horas vagas (bem vagas)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Vinho e a Pintura! Nicolas Poussin


Nicolas Poussin nasceu em Villers, perto de Paris em 1594 e morreu em Roma em 1665. Este quadro tem dois títulos: "O Outono" ou "O Cacho de Uvas Trazido da Terra Prometida".

Fonte: www.papodevinho.blogspot.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Terramater Vineyard Reserve Cabernet/Carmenére


Um tempo atrás descobri o Empório Vinis, na cidade de itatiba, onde acabei comprando algumas garrafas dos vinhos importados com exclusividade por eles.

Este aqui é o terceiro vinho que estou provando, sendo que e até agora os outros dois já me agradaram bastante..

Novamente este é um vinho da linha intermediária da Terramater, só que o primeiro era um varietal e este aqui é um corte.

O Vinho: Terramater Vineyard Reserve

Safra: 2006

Uvas: Cabernet Sauvignon e Carmenére

Comentários:
Na taça mostrou uma cor violeta profundo, brilhante e com aura na mesma tonalidade.

Os aromas eram de média potência e boa persistência, que lembravam frutas vermelhas frescas e maduras, um toque herbáceo e uma leve baunilha, proveniente do seu período de descanso em barricas de carvalho.

Na boca apresentou corpo médio com taninos bem leves e uma acidez correta.
Um vinho bem harmônico e correto.

No fundo da taça ficaram aromas frutados com notas esfumaçadas.

Particularmente, gostei mais do varietal Cabernet Sauvignon, mas mais uma vez a linha intermediária da Terramater não decepcionou. Vale a pena provar!
Agora estou curioso para provar os dois Limited Reserve que ainda tenho aqui.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vinhedos Emiliana Syrah 2007


Este era um daqueles vinhos que eu sempre olhava com curiosidade, mas sempre deixava pra comprar depois.

Um dia desses encontrei ele em uma promocao num supermercado próximo da minha casa e não resisti em comprá-lo.

O Vinho: Vinhedos Emiliana

Safra: 2007

Uvas: 100% Shiraz

Comentários:
Na taça apresentou uma cor violeta profundo com reflexos na mesma cor.

Aromas frutados e de média potência que lembram frutas vermelhas maduras como morango e cerejas, com um toque levemente refrescante.

Na boca foi um vinho redondo, de corpo médio, com taninos suaves e acidez correta.
Se muita complexidade em geral.

Particularmente eu não esperava muito deste vinho, mas este acabou me surpreendendo quando se mostrou um vinho simples, mas muito bom para o dia a dia, com um bom custo x beneficio mesmo considerando seu preco normal.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Experiência Estética - por André Logaldi

A Experiência Estética - por André Logaldi

Dentro de minha vivência tenho inúmeras vezes me deparado com a colocação de que o ato de compreender e ser atingido emocionalmente por um objeto que contenha em si algum significado seria uma atribuição essencialmente humana, por seu fundamento de cognição, a inteligência que faltaria a outros animais.

A significação é uma expressão simbólica e abstrata que transcende o próprio objeto e implica que o observador tenha a mínima capacidade de, através de sua bagagem cultural e interpretativa, captar elementos que validem sua observação transformando esta em uma apreciação.

Também se atribui à capacidade sensorial um nível de hierarquização que acredito de modo ilegítimo, pressupõe que alguns sentidos sejam superiores a outros, os inferiores mais nos aproximando de seres irracionais. Assim, no nível inferior teríamos tato, olfato e paladar, em geral admitidos como primários e meramente ligados antes à sobrevivência do que a um plano cognitivo, nobre, ligado à inteligência e habilidade de abstração. Dentro deste plano superior, basta lembrar o título da obra de Claude Lévi-Strauss “Olhar, escutar e ler” que sublinha evidentemente a excelência dos sentidos de visão e audição como os maiores representantes da percepção estética. O que são grandes obras de arte senão objetos, arquiteturas, músicas, pinturas, esculturas, poesias e afins?

No século XXI já é notório também a evolução da gastronomia mais do que nunca elevada à categoria de ciência, provedora de múltiplas estimulações sensoriais inclusive táteis e talvez transformando pouco a pouco os sentidos de paladar e olfato em veículos de cognição. Desta maneira, se para a iconografia um quadro da Santa Ceia exigiria uma contextualização histórica de um observador, sob risco da perda de seu significado (o que um aborígene australiano diria desta obra?), agora parecemos caminhar na mesma direção quanto aos nossos sentidos que eram tratados como simplesmente subsistenciais.

Paralelamente temos a experiência de provar grandes vinhos, que em nada se distancia das experiências estéticas uma vez que o significado cultural por trás de uma garrafa pode ser igualmente transcendente e nos melhores casos, a experiência sensorial por si também proporciona intenso prazer.

Os objetos que carecem de significado são tidos como “funcionais” e seguindo a trilha, temos vinhos igualmente funcionais uma vez que podem apenas estabelecer sua premissa mais básica, sobretudo quando visto como um alimento.

No plano superior se tomarmos o exemplo de um grande vinho, como o Mouton-Rothschild, veremos que esta casa agregou valores vinculados à sua história, à consistência e perseverança de uma família que se propôs a elaborar um vinho que melhor representasse o valor de suas terras, compradas em 1853. O que se compra é mais do que uma garrafa de vinho, mas um produto final que guarda por trás de si uma tradição e o comprometimento com a qualidade máxima possível, o que pode ser quase comparado a um juramento hipocrático, ou seja, uma garantia de retidão e ética no exercício de seu ofício.

A experiência emocional de apreciação da arte pressupõe muito mais do que a familiaridade com os objetos retratados, mas com temas específicos e conceitos. A percepção da arte como tal pressupõe no apreciador uma habilidade individual bem fundamentada. A experimentação estética se baseia na consonância entre a intenção do autor e o conhecimento do apreciador. A arte não se auto-explica, mas é intuída, do contrário seria apenas o objeto funcional.

E enfim, depois de muito tempo de evolução, parece que a experimentação estética no campo dos vinhos está se disseminando e o melhor, graças a esforços intelectuais dos apreciadores, que acima das intempéries financeiras, se multiplicam. E por isso a arte, independente da origem do estímulo, segue sem preço.

André Logaldi é médico cardiologista, enófilo, diretor de degustação da ABS-SP, colaborador da revista Wine Style, revisor técnico de livros sobre vinhos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Vinho e a Pintura! - Louis Le Nain


Mais uma obra de Louis Le Nain, um artista fantástico e pouco conhecido no Brasil.
Este quadro está no Museu do Louvre, em Paris.
Louis Le Naim era o mais novo de uma família de pintores da Picardia (França).

Fonte:www.papodevinho.blogspot.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Courmayeur Acclamé 2008


Mais um dos vinhos da vinícola Courmayeur, que produz diversos rótulos entre brancos, tintos e espumantes.

Este rótulo em especial, me chamou a atenção por ser produzido com a uva Marselan, uma casta de origem francesa, resultante do cruzamento das uvas Cabernet Sauvignon e Granache Preto.

O Vinho: Acclamé

Safra: 2008

Uvas: 100% Marselan

Comentários:
Na taça mostrou uma bonita cor rubi, translúcido e brilhante.Praticamente sem halo aquoso.

No olfato mostrou aromas de leves que lembravam frutas frescas, como goiabas e morangos e cerejas, com um toque refrescante de menta.

No paladar tinha um corpo leve, taninos macios e uma boa acidez, criando um conjunto equilibrado.

Na minha opinião, apesar de não ter muita complexidade, o vinho mostrou-se bem gastronômico e acompanhou muito bem uma macarronada.
Uma boa pedida para o dia a dia.