Este é um vinho produzido no Rio Grande do Sul pela Adega Chesini , que gentilmente nos cedeu duas amostras do seu vinho top para que pudéssemos conhecê-lo.
Assim que a garrafa chegou, não pude deixar de notar o cuidado da empresa com a apresentação do produto.
Um rótulo bonito, bem trabalhado e uma garrafa grossa. Deixei a garrafa na adega por alguns dias mas logo encontrei uma oportunidade para degustá-lo.
O Vinho: Chesini Gran Vin
Safra: 2005
Uvas: 100% Cabernet Sauvignon
Comentários: Na taça apresentou uma cor violeta profundo, quase negro, denso e com aura violácea.
Aromas de média intensidade que lembravam frutas vermelhas maduras, algo levemente adocicado e notas de chocolate e amêndoas.
Na boca, no primeiro gole mostrou um toque levemente cremoso, com corpo médio, taninos presentes de forma correta e uma boa acidez, criando um conjunto bem equilibrado.
Deixou na boca um delicioso retrogosto frutado e no fundo da taça restaram aromas de defumado e café.
Na minha opinião este é um ótimo exemplar de vinho nacional, que consegue provar que o Brasil tem potencial para produção de bons vinhos e só depende dos produtores encontrarem a melhor forma para chegar nesses bons resultados.
Alguns dias atrás o nosso confrade Marcelo, do blog Vinificando me convidou para participar de uma “harmonização” entre vinho e música.
A brincadeira consiste em tentar combinar um vinho sugerido com uma música de sua escolha. Achei a idéia bem interessante e como adoro as duas coisas, aceitei prontamente o convite do Marcelo para ver no que poderia resultar essa combinação.
Abaixo segue a descrição do vinho que o Marcelo me enviou e a minha música para combinar com ele. Visite também o Vinificando para ver o vinho que eu escolhi e a música que o Marcelo sugeriu.
Côtes-du-Rhône 2005 (E Guigal)
Quero apresentar, para este novo desafio enomusical, um vinho que me agrada sempre e que é, para mim, um exemplo de um feliz encontro entre tradição e inovação em Bordeaux. Refiro-me ao Tinto da E Guigal, Côtes-du-Rhône. Sob a batuta do competente Marcel Guigal, que assumiu a vinícola em 1961, após a doença de seu pai Etienne Guigal, a E Guigal vem aprimorando cada vez mais os seus vinhos mais básicos, demonstrando cuidado e atenção para oferecer ao mercado algo que seja de real qualidade, a despeito do preço.
Côtes-du-Rhône 2005, produzido com 55% Syrah, 35% Granache, 8% Mourvèdre e 2% outras, estagiou por 18 meses em barril de carvalho. No aspecto visual mostra-se com um vermelho intenso e brilhante. Boa viscosidade. O olfato é marcante, iniciando com frutas maduras, caminhando por notas florais e terminando com carne defumada e toque sutil de pimenta. Na boca (seu ponto forte), é encorpado e muito bem estruturado. Textura aveludada, seus taninos são perfeitamente domados, sem omitirem-se. O final é longo e levemente adocicado.
Eis aí um belo representante da França que, apesar de não ser uma opção propriamente barata, vale a pena ser conhecido.
Marcelo Oliveira
Como o Marcelo descreveu o vinho como sendo “um feliz encontro entre tradição e inovação”, resolvi escolher um artista que também tem sua parcela de tradição, representada pelo Rythm & Blues, mas com um grande toque de inovação, representado pelas suas “pegadas” de Rock´n Roll.
Estamos falando de Stevie Ray Vaughan, norte americano que nasceu em Dallas no dia 03 de outubro de 1954.
Stevie iniciou sua carreira tocando contra-baixo na banda do seu irmão Jimmie Vaughan, até que adquiriu experiência e resolveu formar sua própria banda, o Double Trouble.
A música escolhida é o clássico “Pride and Joy”, faixa do disco “Texas Flood” primeiro disco de Stevie Ray Vaughan & Double Trouble, lançado em 1983.
Seu estilo musical foi fortemente influenciado por nomes do blues e do rock, como Albert King, Jimi Hendrix, Freddie King e Albert Collins. Stevie morreu em 27 de agosto de 1990, vítima de um acidente de helicóptero quando seguia para uma apresentação no Alpine Valley Music Theatre, onde na tarde anterior havia se apresentado ao lado de Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão Jimmie Vaughan.
Stevie Ray Vaughan se foi, mas os seus clássicos como “Pride and Joy” permanecerão vivos para sempre.
Aromas inconfundíveis nos tintos do Maipo e Rapel - por Ikuyo Kiyuna
A minha grande lição, em aromas dos tintos de Maipo, foi com o vinho chileno Stella Aurea, numa degustação double blind, durante a aula de Curso Básico da ABS-SP, em 2006.
Eu acho que o professor teve pena de mim, me vendo cheirar como uma analfabeta tentando ler V – I – N - H – O, pois me disse com ar compassivo do alto da sua cátedra: “aliás, este é o aroma típico dos Cabernets do Maipo”.
Após gastar meia hora para entender, gravei no fundo da minha memória olfativa este aroma inconfundível (cassis + goiaba vermelha) que aparece até nos grandes tintos como o Seña (neste caso, aliás, como "bomba").
Depois disso, fiquei craque em "aroma de maipo", na minha gíria. Numa degustação às cegas na aula de tintos com Alexandra Corvo (foi em 2007 ou 2008?), eu comentei que o tinto era de Maipo, mas na verdade era de Rapel.
Foi a segunda lição: gravei na memória olfativa o "aroma de rapel", uma versão mais light, tipo clima temperado de Maipo (cassis + leve goiaba vermelha + herbáceo).
Com estas duas pequenas lições fundamentais, tive oportunidade de testar a minha expertise de (alguns) tintos do Chile. Numa degustação às cegas da nossa confraria - tema, o Syrah do mundo - identifiquei, entre os 10 vinhos, o Syrah do Chile.
Logo depois, teve degustação similar na ABS-SP e identifiquei de imediato o Syrah chileno. Um dos diretores, fera de degustação, comentou que nunca tinha visto um Syrah com este aroma e eu disse para mim mesma: pois eu já vi!
E finalmente, durante o ProChile (25/agosto/2009), degustando os vinhos com o mapa do Chile na mão, vi que os tintos chilenos apresentam quatro gradientes aromáticos básicos: o primeiro (vinhos do norte, perto de Atacama), o "aroma de maipo", "o aroma de rapel" e o quarto (vinhos do sul, de clima temperado). Os aromas 2 e 3 aparecem principalmente em Cabernet Sauvignon, mas em outras cepas tintas como Syrah ou Carmenère, em menor grau, mas detectável, uma vez apreendido.
Acho que este conhecimento é intransferível como uma experiência pessoal. E nem tão óbvio como foi aqui contado, pois com vinho, nunca é exato, repetível, definitivo: um mundo complexo e fascinante.
Ikuyo Kiyuna Engenheira Agrônoma e Mestre em Economia Agrária. Detentora de Wine & Spirit Education Trust (WSET) Advanced Certificate in Wines and Spirits emitido pela Qualifications and Curriculum Authoriy de Londres.
Nesta tela chamada «Autunno» (Outono) Giuseppe Arcimboldo que nasceu na Itália, provavelmente em 1527 e morreu em 1593 (também provavelmente), as uvas representaram os cabelos, a cabeça coroada lembra antigas representações de Baco e o busto é representado por uma barrica. O início do surrealismo?
Durante a minha eterna busca por vinhos novos e diferentes, acabei encontrando o Empório Vinis, na cidade de Itatiba, onde fui atendido pela Mariana que me apresentou os vinhos produzidos pela TerraMater lá no Chile.
São vinhos bem interessantes, tanto que acabei comprando 5 garrafas variadas para provar. Aos pouco vou postar todos eles aqui no blog, começando por este branco.
O Vinho: Paso Del Sol
Safra: 2007
Uvas: 100% Sauvignon Blanc
Comentários:
Na taça mostrou uma cor palha, límpido e brilhante, com reflexos esverdeados.
No nariz surgiram aromas de boa intensidade que lembravam maçã verde e abacaxi, com notas cítricas, um toque herbáceo e com uma baunilha bem leve e bem integrada no conjunto.
Na boca tinha um corpo leve com uma acidez corretíssima, saboroso, equilibrado e com boa persistência.
A princípio mostra uma certa untuosidade, que logo é diminuída pela acidez.
Deixou no fundo da taça aromas acentuados de baunilha, revelando alguns meses de descanso em barricas.
Na minha opinião este é um vinho simples, mas mesmo assim se revelou uma ótima pedida para o dia a dia.
- Pára com isso, Juarez, você já cheirou esse vinho umas dez vezes!!
- Ô casca de ferida que você é, Gonçalo. Me deixa quieto, rapá! O vinho tá evoluindo na taça!
- Cuméquíé ? Tá de darwinismo com esse seu suco de uva sem vergonha agora?
- Ah meu sapato velho… eu sabia que deveria ter bebido cerveja com vocês…
- Você vai é arranjar uma lééerr das boas, ou virar baitola girando esse copo com a munheca tantas vezes…
- Ô mastodonte, bebe essa tua Budweiser miserenta aí e me deixa em paz!!
- Bota um pouco desse vinho aqui no meu copo, quero ver se esse troço é bom mesmo!
- Nem a pau! Acha que vou colocar meu Lagarde Guarda nesse copo babado e com cheiro de cerveja?
- Tá bom, peraí, eu vou beber a espuminha que tá no fundo…
- Nem vem, vai ficar esse cheiro de cevada fermentada misturado com o bouquet do meu vinho, vai pegar do Almaden que tá lá no buffet.
- Deixa de ser boiola, bota um pouco aqui que quero ver se esse troço é bom ou confirmar se você anda mesmo a biba que acho que você é.
- Gonçalo, tu já tomou umas dez latinhas de cerveja, tá pertinho de começar a querer agarrar até a minha sogra na festa, não vou te dar do meu vinho não!
- Tá bom, tá bom. Eu sigo suas regrinhas gayzolas… me diz aí o que faço.
- Não vou te dar vinho, você não vai gostar, já tá tomando até cerveja quente!
- Vai, não enche o saco, diz aí, o que quer que eu faça!
- Saco, viu. Pega uma taça ali na cristaleira.
(Volta com uma taça de martini)
- Não, jumento, Uma taça igual a essa que estou usando!
(Volta com uma bordeaux)
- Tá, agora toma um pouco de água. Dá uma bochechada, sei lá, limpa essa língua.
- Mas que cara chato! Quero vinho, não quero fazer higiene bucal!
- Ô animar! Não é pra usar Listerine! Dá só um golinho pra tirar o gosto de cerveja da boca!
(Toma um golinho mínimo, engole direto)
- Ô lesado, bochecha um pouco antes pra limpar as papilas da língua!
- Escuta, isso é consulta de dentista ou “degustação”, como vc vive falando?
- Ok, esquece. Não vou mais te dar vinho.
- Tá, tá, eu bochecho…
(Toma um gole grande, bochecha e em seguida começa a gargarejar)
- Hahaha… ô seu mamado! Você vai beber vinho, e não pra cama dormir!
(Gonçalo se molha inteiro e quase se afoga porque estava gargarejando de boca pra cima quando caiu na risada)
- Vai, coloca esse trubisco aí na taça de uma vez!
- Trubisco é a vovó! Esse é um Lagarde Guarda 2002, que comprei direto na Weinert antes de sair pro mercado!
- Nhenhenhé, agora vai começar com a nomarada estrangeira de sempre. Não quero saber se comprou do Chucrutz ou do Eisbein, quero ver que gosto tem esse troço!
(Juarez serve um dedo de vinho no fundo da taça)
- Deixa de ser regulão!! Enche essa taça, seu munheca!
- Nessa taça cabe 700 ml de vinho, sua anta. Queria beber, agora faz como eu digo, deixa de ser tosco!
(Gonçalo dá uma risada mole de bêbado risonho)
- Primeiro, não pega na taça assim! Vai esquentar o vinho!
- Mas que cara mais chato! Que diferença vai fazer se ficar um pouco mais quente?
- Já tá a 17 graus, você vai piorar o vinho!
- Tá, tá.
- Segura pela haste, assim…
(Juarez ergue a taça, Gonçalo segura só com dois dedinhos e faz uma expressão efeminada, virando os olhos pra cima)
- Aiai… agora, pra não derramar vinho pra todo lado no estado que você está, coloca o vinho na mesa, assim, firma o pé da taça, e gira, assim.
(Gonçalo fica movendo a taça pra frente e pra trás ao invés de girar)
- Ô malaco, ASSIM! (Juarez gira a taça com força)
Gonçalo dá outra risada debochada e gira direitinho.
- Tá, agora ergue a taça e coloca o nariz dentro dela, e respira fundo.
(Gonçalo ergue a taça, enfia o nariz mas inclina demais a taça, e enche o nariz de vinho, se afogando inteiro)
- Hahaha… ô besta quadrada! É pra cheirar o vinho, não tomar pelo nariz!!
Gonçalo limpa o rosto e, meio indignado, aspira direito dessa vez.
- E daí, me diz o que sente de cheiro!
- Ué, tem cheiro de uva, caramba!
- Ai meu Santo Onofre, tem tudo aí, menos uva!
- Tá bom, então tem cheiro de vinho.
- Humm… melhor. Que mais?
- Sei lá… um cheiro meio doce…
- Isso… fruta em compota…
- Hahaha… que mané fruta em compota, como é que você vai definir que tem cheiro de fruta, e ainda mais fruta em compota!
- Me dá essa taça aqui de volta!!
- Tá bom, tá bom! Calma pilombeta! Vai dizendo aí que outros “aromas”tenho que sentir.
- Tem cheiro defumado também, um pouco mais fraco.
(Gonçalo fecha os olhos e cheira concentrado…)
- Humm… e não é que tem mesmo! Meio que um cheiro de paio…
- Ok, ok. Que seja. Também tem um cheiro de caixa de charuto…
- Ô minina formosa, como assim? Caixa de charuto ou charuto?
- Não, da caixa mesmo, da madeira que pegou o cheiro do tabaco!
- Pronto, daqui a pouco vai dizer que também tem o cheiro do pote da geléia, e não de geléia…
- Gonçalo, cheiro de caixa de charuto é comum!
- Só se for na gaveta daquela tua escrivaninha de fresco, na tua biblioteca.
- É isso mesmo!
Gonçalo vira os olhos pra cima, desdenhando.
- Tá, isso não estou sentindo não. Você tá viajando, já bebeu demais esse troço.
- Tá, esquece. Vamos pra boca…
- Qual delas ? Lapa ou a o Cais ?
- Tuas piadinhas estão tão boas quanto teu olfato…
- Ok, vou beber.
- Peraí, não vai bebendo de qualquer jeito! Deixa a boca meio aberta, bebe um pouquinho só, e puxa ar pela boca enquanto bebe.
- Hein?
- Isso mesmo, oxigena o vinho enquanto sente o gosto!
- Cê tá doido! Vou me babar todo!
- Anda, tenta!
Gonçalo se baba todo.
- Agora pára de me encher o saco, vou beber como conheço, com a boca fechada!
Juarez ainda dando risada concorda com a cabeça.
- Hummm…
- E aí, o que achou?
- Sei lá… esse troço não é meio ácido?
- Claro que é acido, a acidez é uma característica essencial do vinho…
- Mas e aqueles docinhos da garrafa azul ?
Juarez vira os olhos pra cima.
- Aquilo nem se pode chamar de vinho, Gonçalo!
- Como assim, e o vinho de pêssego Canção? Tá escrito vinho no rótulo!
- Eu sabia que ia ser uma perda de tempo…
Naquele momento, a mulher mais gostosa da festa, nova no setor dos recursos humanos, pára em pé do lado dos dois.
Gonçalo e Juarez se olham,Gonçalo surrupia rapidinho a garrafa do Weinert, num pulo chega junto da morena de calça justa, garrafa na mão e dispara:
- Helloouu, você não é a Nina? Tava aqui pensando em de repente te oferecer um golinho de vinho, parece mais a sua cara do que essa cervejarada meio ralé que o povo té bebendo…
- Ah é - Nina dá uma risadinha - e que vinho é esse ?
- É um Weimaraner comprado direto na vinharia… coisa fina… tem aromas de frutas glaceadas na caixa… vamos ali pegar uma taça…
Passa a mão na cintura dela, pisca pro Juarez boquiaberto e vai dando risadinha enquanto ela rebola em direção da cristaleira.
Elmo Dias é advogado civilista, presidente da Afavep, pescador, tenista, enófilo e cronista nas horas vagas (bem vagas)
Esta obra "O Casamento de Cana" representa o milagre da transformação da água em vinho por Jesus Cristo. Paolo Veronese nasceu em Verona provavelmente em 1528 e morreu em Veneza em 1588. O nome Veronese foi incorporado por ele pelo fato de ter nascido em Verona e ser conhecido por "Il Veronese". O nome de batismo era Paolo Caliari.