sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pericó Espumante Natural Brut

Este aqui é o terceiro e último vinho que adquiri da Casa Pericó e para minha alegria este rótulo também não decepcionou.

O Vinho: Espumante Natural Brut Branco

Safra: 2008

Uvas: 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot

Comentários:
Na taça apresentou uma cor amarelo palha , límpido e com uma perlage fina e duradoura.

Aromas de boa persistência que lembravam maçã verde, com boas notas florais, minerais e cítricas.

Na boca tem uma boa persistência com uma boa acidez e um toque levemente adocicado e bem equilibrado.

Na minha opinião este é um ótimo espumante, elegante e equilibrado.
Boa indicação de aquipe de vendas da Casa Pericó.
Vale a pena provar!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Gentilezas Enofílicas - por Elmo Dias

Gentilezas Enofílicas - por Elmo Dias

- Pára com isso, Juarez, você já cheirou esse vinho umas dez vezes!!

- Ô casca de ferida que você é, Gonçalo. Me deixa quieto, rapá! O vinho tá evoluindo na taça!

- Cuméquíé ? Tá de darwinismo com esse seu suco de uva sem vergonha agora?

- Ah meu sapato velho… eu sabia que deveria ter bebido cerveja com vocês…

- Você vai é arranjar uma lééerr das boas, ou virar baitola girando esse copo com a munheca tantas vezes…

- Ô mastodonte, bebe essa tua Budweiser miserenta aí e me deixa em paz!!

- Bota um pouco desse vinho aqui no meu copo, quero ver se esse troço é bom mesmo!

- Nem a pau! Acha que vou colocar meu Lagarde Guarda nesse copo babado e com cheiro de cerveja?

- Tá bom, peraí, eu vou beber a espuminha que tá no fundo…

- Nem vem, vai ficar esse cheiro de cevada fermentada misturado com o bouquet do meu vinho, vai pegar do Almaden que tá lá no buffet.

- Deixa de ser boiola, bota um pouco aqui que quero ver se esse troço é bom ou confirmar se você anda mesmo a biba que acho que você é.

- Gonçalo, tu já tomou umas dez latinhas de cerveja, tá pertinho de começar a querer agarrar até a minha sogra na festa, não vou te dar do meu vinho não!

- Tá bom, tá bom. Eu sigo suas regrinhas gayzolas… me diz aí o que faço.

- Não vou te dar vinho, você não vai gostar, já tá tomando até cerveja quente!

- Vai, não enche o saco, diz aí, o que quer que eu faça!

- Saco, viu. Pega uma taça ali na cristaleira.

(Volta com uma taça de martini)

- Não, jumento, Uma taça igual a essa que estou usando!

(Volta com uma bordeaux)

- Tá, agora toma um pouco de água. Dá uma bochechada, sei lá, limpa essa língua.

- Mas que cara chato! Quero vinho, não quero fazer higiene bucal!

- Ô animar! Não é pra usar Listerine! Dá só um golinho pra tirar o gosto de cerveja da boca!

(Toma um golinho mínimo, engole direto)

- Ô lesado, bochecha um pouco antes pra limpar as papilas da língua!

- Escuta, isso é consulta de dentista ou “degustação”, como vc vive falando?

- Ok, esquece. Não vou mais te dar vinho.

- Tá, tá, eu bochecho…

(Toma um gole grande, bochecha e em seguida começa a gargarejar)

- Hahaha… ô seu mamado! Você vai beber vinho, e não pra cama dormir!

(Gonçalo se molha inteiro e quase se afoga porque estava gargarejando de boca pra cima quando caiu na risada)

- Vai, coloca esse trubisco aí na taça de uma vez!

- Trubisco é a vovó! Esse é um Lagarde Guarda 2002, que comprei direto na Weinert antes de sair pro mercado!

- Nhenhenhé, agora vai começar com a nomarada estrangeira de sempre. Não quero saber se comprou do Chucrutz ou do Eisbein, quero ver que gosto tem esse troço!

(Juarez serve um dedo de vinho no fundo da taça)

- Deixa de ser regulão!! Enche essa taça, seu munheca!

- Nessa taça cabe 700 ml de vinho, sua anta. Queria beber, agora faz como eu digo, deixa de ser tosco!

(Gonçalo dá uma risada mole de bêbado risonho)

- Primeiro, não pega na taça assim! Vai esquentar o vinho!

- Mas que cara mais chato! Que diferença vai fazer se ficar um pouco mais quente?

- Já tá a 17 graus, você vai piorar o vinho!

- Tá, tá.

- Segura pela haste, assim…

(Juarez ergue a taça, Gonçalo segura só com dois dedinhos e faz uma expressão efeminada, virando os olhos pra cima)

- Aiai… agora, pra não derramar vinho pra todo lado no estado que você está, coloca o vinho na mesa, assim, firma o pé da taça, e gira, assim.

(Gonçalo fica movendo a taça pra frente e pra trás ao invés de girar)

- Ô malaco, ASSIM! (Juarez gira a taça com força)

Gonçalo dá outra risada debochada e gira direitinho.

- Tá, agora ergue a taça e coloca o nariz dentro dela, e respira fundo.

(Gonçalo ergue a taça, enfia o nariz mas inclina demais a taça, e enche o nariz de vinho, se afogando inteiro)

- Hahaha… ô besta quadrada! É pra cheirar o vinho, não tomar pelo nariz!!

Gonçalo limpa o rosto e, meio indignado, aspira direito dessa vez.

- E daí, me diz o que sente de cheiro!

- Ué, tem cheiro de uva, caramba!

- Ai meu Santo Onofre, tem tudo aí, menos uva!

- Tá bom, então tem cheiro de vinho.

- Humm… melhor. Que mais?

- Sei lá… um cheiro meio doce…

- Isso… fruta em compota…

- Hahaha… que mané fruta em compota, como é que você vai definir que tem cheiro de fruta, e ainda mais fruta em compota!

- Me dá essa taça aqui de volta!!

- Tá bom, tá bom! Calma pilombeta! Vai dizendo aí que outros “aromas”tenho que sentir.

- Tem cheiro defumado também, um pouco mais fraco.

(Gonçalo fecha os olhos e cheira concentrado…)

- Humm… e não é que tem mesmo! Meio que um cheiro de paio…

- Ok, ok. Que seja. Também tem um cheiro de caixa de charuto…

- Ô minina formosa, como assim? Caixa de charuto ou charuto?

- Não, da caixa mesmo, da madeira que pegou o cheiro do tabaco!

- Pronto, daqui a pouco vai dizer que também tem o cheiro do pote da geléia, e não de geléia…

- Gonçalo, cheiro de caixa de charuto é comum!

- Só se for na gaveta daquela tua escrivaninha de fresco, na tua biblioteca.

- É isso mesmo!

Gonçalo vira os olhos pra cima, desdenhando.

- Tá, isso não estou sentindo não. Você tá viajando, já bebeu demais esse troço.

- Tá, esquece. Vamos pra boca…

- Qual delas ? Lapa ou a o Cais ?

- Tuas piadinhas estão tão boas quanto teu olfato…

- Ok, vou beber.

- Peraí, não vai bebendo de qualquer jeito! Deixa a boca meio aberta, bebe um pouquinho só, e puxa ar pela boca enquanto bebe.

- Hein?

- Isso mesmo, oxigena o vinho enquanto sente o gosto!

- Cê tá doido! Vou me babar todo!

- Anda, tenta!

Gonçalo se baba todo.

- Agora pára de me encher o saco, vou beber como conheço, com a boca fechada!

Juarez ainda dando risada concorda com a cabeça.

- Hummm…

- E aí, o que achou?

- Sei lá… esse troço não é meio ácido?

- Claro que é acido, a acidez é uma característica essencial do vinho…

- Mas e aqueles docinhos da garrafa azul ?

Juarez vira os olhos pra cima.

- Aquilo nem se pode chamar de vinho, Gonçalo!

- Como assim, e o vinho de pêssego Canção? Tá escrito vinho no rótulo!

- Eu sabia que ia ser uma perda de tempo…

Naquele momento, a mulher mais gostosa da festa, nova no setor dos recursos humanos, pára em pé do lado dos dois.

Gonçalo e Juarez se olham,Gonçalo surrupia rapidinho a garrafa do Weinert, num pulo chega junto da morena de calça justa, garrafa na mão e dispara:

- Helloouu, você não é a Nina? Tava aqui pensando em de repente te oferecer um golinho de vinho, parece mais a sua cara do que essa cervejarada meio ralé que o povo té bebendo…

- Ah é - Nina dá uma risadinha - e que vinho é esse ?

- É um Weimaraner comprado direto na vinharia… coisa fina… tem aromas de frutas glaceadas na caixa… vamos ali pegar uma taça…

Passa a mão na cintura dela, pisca pro Juarez boquiaberto e vai dando risadinha enquanto ela rebola em direção da cristaleira.


Elmo Dias é advogado civilista, presidente da Afavep, pescador, tenista, enófilo e cronista nas horas vagas (bem vagas)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O VInho e a Pintura! Veronese

Esta obra "O Casamento de Cana" representa o milagre da transformação da água em vinho por Jesus Cristo. Paolo Veronese nasceu em Verona provavelmente em 1528 e morreu em Veneza em 1588. O nome Veronese foi incorporado por ele pelo fato de ter nascido em Verona e ser conhecido por "Il Veronese". O nome de batismo era Paolo Caliari.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Morandé Reserva Pinot Noir


Um sábado desses eu estava querendo cozinha alguma coisa e não sabia exatamente oque fazer.
Resolvi fazer um risoto de açafrão com bacon e filé de frango com limão e convidei um casal de amigos para compartilhar o momento.
Eles aceitaram prontamente o convite e trouxeram este vinho para harmonizar com o prato.

O Vinho: Morandé Reserva

Safra: 2008

Uvas: 100% Pinot Noir

Comentários:
Um vinho jovem, rubi brilhante, límpido e translúcido com aura rosada.

Apresentou aromas de média potência onde se destacaram os frutos vermelhos como morango e groselha com um leve toque de baunilha.

Na boca mostrou um corpo leve com taninos macios e pouca acidez, que resultaram em um vinho bem equilibrado e suave.

No fundo de taça deixou um aroma de frutas em compota.
A escolha não poderia ter sido melhor, harmonizou perfeitamente com o prato.

Na minha opinião este é um ótimo exemplo de pinot noir do novo mundo, macio e saboroso na boca com um ótimo custo x beneficio.
Vale a pena provar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pericó - Taipa

Um tempo atrás adquiri 3 rótulos da Casa Pericó para provar.


Este aqui foi o segundo vinho que abri e também não deixou nada a desejar.

O primeiro ponto que devemos considerar sobre esse vinho pode ser visto na foto ao lado.Uma garrafa e um rótulo muito bem trabalhados, dando um toque refinado ao produto final.

O segundo ponto vem logo abaixo, o vinho propriamente dito
O Vinho: Taipa
Safra: 2008
Uvas: Cabernet Sauvignon e Merlot

Comentários:

Na taça apresentou uma cor salmão claro, translúcido e brilhante, praticamente com a mesma cor dos famosos Rosés de Provence.
Aromas leves que lembravam frutas frescas como morangos, cerejas, notas florais, com um toque de baunilha, amêndoas e defumado, revelando sua breve passagem por barricas de carvalho francês.
Na boca mostrou um corpo leve com um leve ataque dos taninos e pouca acidez, que deixaram o vinho muito elegante, saboroso e equilibrado.
Deixou na boca um delicioso retrogosto frutado, novamente lembrando muito um rosé de provence.
Quem estiver interessado em provar esse vinho é só entrar em contato com o setor de vendas da Casa Pericó e adquirir suas garrafas. Vale a pena provar!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vinhos e seus Aromas: (Quase) Tudo menos Uva - por André Logaldi

Vinhos & Seus Aromas: (Quase) Tudo Menos Uva - por André Logaldi

 
É inevitável que os enófilos curiosos queiram saber por que se pode achar tantos aromas de frutas e outras coisas numa taça de vinho, feito de uva. A equação não fecha de modo intuitivo, é preciso estudar! Bem, e daí?

Daí que a mágica se chama fermentação, mas a “bruxaria” já começa na natureza, na videira, rica em precursores aromáticos, substâncias que possuem poder de atração sobre os insetos, para que estes veiculem o pólen das flores permitindo a reprodução da planta, que é hermafrodita. Uma vez que os bagos são a evolução de flores fecundadas, então eles carregam consigo estes precursores e a fase final do “ritual” é a fermentação alcoólica (e a malolática) que fará com que através de reações químicas incessantes, algumas dezenas de precursores se transformem em centenas de compostos de poder estimulante do olfato.

Exemplo: alguns álcoois se transformam em ésteres ou aldeídos que em geral, tem poder odorante muito maior. Estas moléculas odorantes nos remete a outros elementos da natureza porque toda esta química natural existe em todos os seus componentes. Assim, banana tem este nome por uma categorização que os humanos criaram para diferenciá-la de outros frutos. Nós chamamos de banana aquela fruta de formato típico que o macaco come, mas na natureza ela é um fruto que é mais rico em acetato de isoamila do que outros odorantes. Tudo o que tiver este composto vai cheirar a banana. E não será a única fruta do mundo a possuir este composto. O que varia de uma espécie a outra, é a concentração percentual.

Em testes de laboratório, como na cromatografia, é possível identificar as moléculas presentes nos vinhos e assim, vemos que um mesmo vinho pode conter quantidades maiores ou menores de digamos, benzaldeído. Esta substância diluída em um meio ácido e rico em álcool como é o vinho, pode ter sua capacidade odorante amplificada e benzaldeído cheira a cerejas, mirtilos, pêssegos, ameixas entre outros. Desta forma um vinho rico nesse composto pode fazer com que quatro degustadores diferentes cite cada uma destas frutas diferentes, cada um puxado de acordo com sua memória olfativa.

Tendemos a acreditar que a natureza é aquilo que fazemos dela, como a classificamos ou categorizamos. Mas ela é muito mais do que isso, muito mais complexa e interligada do que parece. Nós, devemos ter a humildade de saber reconhecer que criamos estas classificações para não mais que mascarar nossas limitações. Mas enfim, isso serve como um conforto pois a mágica do aprendizado se renova ao longo da vida, basta que não sejamos insensíveis à este chamado da natureza!

 
André Logaldi é médico cardiologista, enófilo, diretor de degustação da ABS-SP, colaborador da revista Wine Style, revisor técnico de livros sobre vinhos.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

O Vinho e a Pintura! Juan de Juanes

Quando se fala em última Ceia, se pensa logo em Leonardo Da Vinci, mas diversos pintores retrataram o momento da Eucaristia. Esta bela obra é de Juan de Juanes ou Joan de Joanes, pintado em 1550.


Juan de Juanes nasceu em Valencia (Espanha) em 1523 e morreu em Bocairente (Espanha) em 1579. Está esposta no Museu do Prado, em Madrid.

Fonte: http://www.papodevinho.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Courmayeur Reserva Merlot

Em uma de minhas buscas por boas vinícolas brasileiras, encontrei a vinícola Courmayeur, uma vinícola com sede na cidade de Garibaldi e que atualmente produz diversos rótulos entre brancos, tintos e espumantes.

Após alguns contatos com o setor de vendas, acabei comprando uma caixa com 6 vinhos diferentes e logo que chegaram tratei de abrir um deles para provar.

O Vinho: Courmayeur Reserva

Safra: 2008

Uvas: 100% Merlot

Comentários:
Na taça mostrou uma bonita cor violeta, levemente translúcido, brilhante e com aura violácea.

Apresentou aromas de media potência que lembravam frutas frescas com toques de baunilha, hortelã e amêndoas.
No nariz o álcool e a madeira estavam bem integrados ao conjunto.

Na boca tem um corpo médio, uma acidez correta e taninos suaves, que deixaram o vinho bem harmonioso e macio.

Deixou na boca um leve amargor que não chegou a incomodar.

No fundo de taça restaram aromas frutados com um toque de defumado.

Na minha opinião esta é uma ótima opção de vinho para o dia a dia.
Aqui em casa harmonizou bem com o "bom e velho" filé com fritas.
Se você tiver a oportunidade, vale a pena conhecer.