quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Vinho e a China - Por Renato Martinelli

A partir de agora este blog tem um colaborador. É o meu amigo e sommelier Renato Martinelli que irá, periodicamente, escrever textos interessantes em relação ao mundo do vinho.

E como estamos em época de olimpíadas, o tema nao poderia deixar de ser a China.

O Vinho e a China - Por Renato Martinelli

As Olimpíadas estão ai e os olhos são todos para China. O país mais populoso do mundo recepciona ao mundo mostrando toda sua cultura.

A china não passa somente por transições políticas e renovações. Com crescimento inigualável, traz na produção de seus vinhos uma revolução. A china é hoje o segundo mercado importador de vinhos finos. Alguns entusiastas dizem que o país superará os Estados Unidos, tornando-se um dos principais mercados em um futuro próximo.

O mercado de luxo avança ferozmente em diversos setores, e o vinho caminha em paralelo.
Um Estudo realizado pela International Wine and Spirirt Record mostra que em um horizonte temporal de 10 anos (1999-2009) o mercado chinês venha a crescer cerca de 78%. A decida progressiva das tarifas de importação sobre o vinho, na seqüência da adesão da China à OMC, e a promoção publica das virtudes do consumo de vinho tinto, ajudam a incrementar dados aos produtores de vinho de todo o mundo.

Toda a mídia especializada está começando a publicar suas revistas em chinês, uma delas é a revista inglesa DECANTER. Além disso, vários restaurantes famosos também estão procurando seu espaço em território Chinês. Com a abertura do mercado aos vinhos do mundo, o consumidor chinês está se tornando mais exigente, buscando informações como: marca, sabor, região produtora, até mesmo qualificação de seus enólogos. Um entrave na questão do vinho na China é a língua e também a culinária. Os pratos chineses são variados, diferentes do europeu. Por isso é necessária uma atenção especial à harmonização dos vinhos em uma culinária exótica como a chinesa.

Os vinhos chineses contam com vantagem absoluta em relação aos vinhos estrangeiros. As marcas nacionais, Changyu, Great Wall e Dynasty, dominam atualmente o mercado chinês. Segundo dados da câmara de Comercio Brasil-China, em 2005 a Changyu, registro 32,2% do mercado, enquanto a Great Wall, 27,7% e Dynasty 10,3%. Algumas marcas locais também ocuparam uma grande fatia do mercado.

Vários países do mundo vêem com bons olhos o mercado chinês. Portugal estuda a melhor forma de introdução de seus vinhos em restaurantes chineses, para poder conquistar este exigente mercado. Para evitar prejuízos, empresas de todo o mundo estão iniciando joint ventures com empresas chinesas, minimizando assim qualquer margem de erro na introdução dos vinhos.
Assim como os exportadores estão se ajustando, os produtores chineses também estão se movimentando para atender melhor a demanda interna, hoje concentrada em vinhos chineses de baixa qualidade, vendidos nos supermercados por 1,65 dólares a garrafa.

Algumas empresas chinesas oferecem salários de até U$ 100,000 a enólogos com experiência comprovada preferencialmente em Bordeaux. O negócio é ir estudar enologia em bordeaux, com um salário destes! – A verdade é que os chineses estão dispostos a provar qualquer vinho que desembarque em seu território, e aproveitando esta oportunidade, produtores mais tradicionais estão de olhos bem abertos. Países como Portugal, França e Itália estão estudando o mercado chinês aproveitando os mais de 100 milhões de potenciais consumidores. Chile e Austrália também já introduziram seus vinhos em terras chinesas. Logo os vinhos Brasileiros também estarão pelas terras imperiais e encontraremos os polêmicos vinhos chineses em nossas gôndolas.

3 comentários:

Guilherme Lopes Mair disse...

Caros Jean e Renato,

Parabéns pela matéria e boa sorte nessa empreitada.

Anônimo disse...

Gostaria de parabenisar pela matéia dos vinhos chineses.

Ricardo Bonanome disse...

Gostei muito desta matéria escrita pelo meu amigo Sommelier Renato, pois sou fã da culinaria chinesa e seus temperos.
Em Jundiai, existem bons restaurantes de comida chinesa como por exemplo o Ling Ling, que costumo frequentar.
A culinaria chinesa é rica em temperos, aromas e condimentos que harmonizam com vinhos brancos, frescos e perfumados. Os vinhos feitos com a uva Sauvignon Blanc(como o famoso Amayna da vinicola Garcés Silva) combinam muito bem com os molhos apimentados a base de curry, os Rieslings secos e os Gewurztraminers aromáticos e perfumados harmonizam com pratos como frango xadrez e lombo agridoce. Os Chardonnays brasileiros sem passagem por barrica, frescos e frutados, harmonizam muito bem com as carnes, peixes e legumes (Chop Suey) da culinaria chinesa.
Bom apetite.